O chamado collab é uma tatuagem colaborativa entre dois ou mais tatuadores, onde os estilos de desenho se mesclam criando algo novo e diferente. Na minha opinião, é uma maneira excelente de aprender mais sobre nosso ofício em todos os aspectos. É uma situação onde podemos compartilhar com os envolvidos algum conhecimento que temos, o que beneficia a todos.
Em Junho comecei a fazer meu fechamento de costas com o Maurício, em São Paulo. Nessa nossa primeira sessão, o convidei a fazer uma collab, e ele logo topou. Marcamos de fazer no meu próximo retorno a São Paulo, que ocorreu a poucos dias atrás.
No dia da minha sessão, tivemos uma conversa rápida sobre o que faríamos na collab. Os Dragões do Maurício tem características extremamente marcantes, mas uma delas é o jeito que eles cospem fogo.
Eu liguei essa característica a um desenho que havia feito poucos dias antes dessa conversa, de um crânio derretido, e sugeri ao Maurício criarmos um Dragão cuspindo um crânio de fogo. O espaço era a lateral da coxa, o suficiente para fazer a peça ficar grande e chamativa.
Assim que cheguei em casa após minha sessão, fiz um esboço da ideia. Mostrei ao Maurício no dia seguinte e ele gostou, e optamos por usar esse esboço como ideia base.
No dia da tattoo, Maurício desenhou o dragão primeiro, e em seguida fiz o crânio de fogo. Começamos apenas com uma marcação de caneta, para ver qual seria a área que a tattoo iria ocupar. Com o rabisco na pele, o nosso voluntário, também tatuador Jubba Oliveira, passou uma pomada anestésica, que deixamos agir por mais ou menos uma hora, sobreposta de um plástico para reforçar o efeito e não entrar ar (que pode atrapalhar o funcionamento do produto).
Passada essa hora, o desenho tinha desaparecido completamente (e pra piorar, a pomada não funcionou). A tinta havia borrado por completo abaixo do plástico. Sobrou um pequeno vestígio do que havíamos desenhado, e tivemos que refazer tudo.

Maurício fez novamente o Dragão, dessa vez até mais simples, só com as linhas necessárias para estruturar o desenho, e o resto foi saindo naturalmente, direto na agulha. Só mesmo estando lá ao lado pra ver como esse dragão foi surgindo, incrível!
Com o Dragão pronto, redesenhei o crânio com caneta e tatuei primeiro as linhas, seguidas de algumas áreas de preto puro nas labaredas ao fundo e algumas sombras pra dar a profundidade.
O projeto que na minha cabeça era menor inicialmente, vai acabar se expandindo para a perna inteira, englobando as tattoos em volta de uma maneira bem harmônica. Na próxima sessão, já podemos sombrear o dragão e expandir o fundo. Esse é o resultado que tivemos nessa sessão.

Agradeço a todos os envolvidos na tattoo por essa oportunidade bem bacana, e também ao Yam Vitor, também tatuador, mas que dessa vez ficou por trás da câmera e fez as filmagens no dia da collab. Segue abaixo um video com o resumo da experiência toda, espero que gostem.








